Notícia

8 Novembro 2018

O maltês Matthew Caruana Galizia, a indiana Swati Chaturvedi e a filipina Inday Espina-Varona, vencedores do Prêmio RSF 2018 para a Liberdade de Imprensa

Em 8 de novembro, a Repórteres sem Fronteiras (RSF) entregou o Prêmio para a Liberdade de Imprensa 2018 ao jornalista maltês Matthew Caruana Galicia, à indiana Swati Chaturvedi e à jornalista filipina Inday Espina-Varona, em uma cerimônia realizada pela primeira vez em Londres. Um prêmio especial foi concedido à jornalista britânica Carole Cadwalladr.

Em uma cerimônia em Londres, na quinta-feira, 8 de novembro, a RSF entregou seu Prêmio para a Liberdade de Imprensa 2018 a quatro vencedores entre 12 indicados de prestígio. O Prêmio pela Coragem* foi concedido à jornalista investigativa indiana, Swati Chaturvedi. Esta jornalista tem sido alvo de violentas campanhas de assédio online devido a suas investigações sobre a "célula de TI" do partido do primeiro-ministro Narendra Modi (BJP), famoso por manter um exército de trolls furiosos. Ao coletar testemunhos no próprio interior dessa célula, ela revelou como esses milhões de "yoddhas" ("guerreiros" em hindi), como apelidados por Narendra Modi, são encarregados de atacar jornalistas nas redes sociais que estejam na mira do partido nacionalista hindu.


O Prêmio pelo Impacto* foi entregue a Matthew Caruana Galicia, jornalista maltês, vencedor do Prêmio Pulitzer 2017 por seu trabalho sobre os Panama Papers dentro do Consórcio Internacional de Jornalismo Investigativo (ICIJ). Matthew Caruana Galicia, 32, é filho da jornalista maltesa Daphne Caruana Galicia, assassinada na explosão do seu carro, armado com uma bomba, em 16 de outubro de 2017 em Malta. Em 2018, Matthew Caruana Galicia deixou o ICIJ para fazer campanha por justiça plena para a mãe e por todos os casos que ela trouxe à tona durante suas investigações, e que lhe custaram a vida.


O Prêmio pela Independência* foi concedido à filipina Inday Espina-Varona. Jornalista experiente, também muito ativa nas redes sociais, Inday Espina-Varona conduziu inúmeras investigações sobre temas sensíveis na sociedade filipina, como a prostituição de menores, as violências contra as mulheres, as questões LGBT, ou ainda a Frente Moro de Libertação Islâmica na ilha de Mindanao. Defensora ferrenha da liberdade de informar, representa agora a resistência à "democradura" do presidente Rodrigo Duterte que, desde que assumiu o cargo em 2016, lançou uma guerra aberta contra os veículos de comunicação independentes.


"Todos os anos, o Prêmio RSF para a Liberdade de Imprensa saúda a coragem, a tenacidade e a qualidade do trabalho de jornalistas do mundo inteiro que não hesitam em enfrentar muitos obstáculos e perigos para buscar a verdade, declarou Christophe Deloire, secretário geral da RSF.

Esperamos que este prêmio lhes dê apoio e proteção para que continuem com seu trabalho diante da crescente pressão exercida sobre eles e seus veículos de comunicação em seus países de origem ".


Um Prêmio especial, "O espírito da RSF", criado para premiar um jornalista, meio de comunicação ou ONG britânica, foi concedido à jornalista dos jornais The Guardian e The Observer, Carole Cadwalladr, por sua reportagem sobre a manipulação dos processos democráticos nos Estados Unidos e no Reino Unido. Sua investigação revelou o papel da empresa de análise de dados Cambridge Analytica nas campanhas de Trump e do Brexit. Suas reportagens fizeram com que seja, ainda hoje, vítima de pressões e de assédio.


A cerimônia, conduzida por Lindsey Hilsum, chefe do departamento internacional da Channel 4 News, reuniu inúmeros convidados de prestígio, incluindo a emblemática jornalista da BBC Lyse Doucet, dois ganhadores de versões anteriores do Prêmio RSF, os jornalistas da Turquia e da Síria Can Dundar e Zaina Erhaim, o dissidente chinês Wu'er Kaixi e Eve Pollard, figura lendária da Fleet Street.

Este ano, os vencedores foram selecionados por um prestigiado júri internacional, entre 12 indicados em três categorias:

  • O Prêmio pela Coragem recompensa um jornalista, um meio de comunicação ou uma organização por ter demonstrado coragem no exercício, defesa ou promoção do jornalismo, num ambiente hostil e a despeito do perigo para a sua liberdade ou segurança.
  • O Prêmio pelo Impacto recompensa um jornalista, um meio de comunicação ou organização cujo trabalho permitiu a melhora concreta da liberdade de imprensa, da independência e do pluralismo do jornalismo ou uma conscientização sobre este tema.
  • O Prêmio pela Independência recompensa um jornalista, um meio de comunicação ou uma organização por sua resistência a pressões financeiras, políticas, econômicas, religiosas, etc.

Criado em 1992, o Prêmio Repórteres sem Fronteiras já foi concedido ao Prêmio Nobel da Paz Liu Xiaobo, ao blogueiro saudita encarcerado Raïf Badawi, ao jornal turco Cumhuriyeth ... O Prêmio contribui anualmente para o avanço da liberdade de informação, recompensando jornalistas e meios de comunicação que se destacaram na defesa ou na promoção da liberdade de informação. Além de sua dimensão honorífica, os prêmios entregues aos vencedores são acompanhados de uma recompensa em dinheiro no valor de 2500 euros.