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18 Dezembro 2017 - Atualizado a 19 Dezembro 2017

Balanço da RSF: Esses números permanecem alarmantes

A Repórteres sem Fronteiras (RSF) publica o seu balanço anual dos abusos cometidos contra os jornalistas no mundo. Em 2017, 65 jornalistas foram mortos, 326 estão atualmente em detenção e 54 são mantidos como reféns.

O balanço RSF 2017 dos abusos cometidos contra os jornalistas revela que 65 deles foram O balanço 2017Veja aqui o balançomortos, quer no exercício de suas funções*, vítimas, por exemplo, de um bombardeio, quer assassinados porque suas investigações incomodavam. Os repórteres assassinados representam, por sinal, a grande maioria, ou seja, 60% dessas estatísticas.


Esses números permanecem alarmantes. O ano de 2017 é, contudo, o menos mortífero em 14 anos para os jornalistas profissionais (50). Desde 2012, a redução tem se mantido constante. É claro que os jornalistas fogem de países que se tornaram perigosos demais, como a Síria, o Iêmen ou a Líbia, mas a RSF observa que existe uma maior conscientização com relação aos desafios de proteção dos jornalistas. Desde 2006, inúmeras resoluções sobre a proteção dos jornalistas foram votadas na ONU e procedimentos de segurança foram instaurados em diversas redações.


Essa redução não se aplica às mulheres jornalistas mortas, cujo número dobrou: dez foram mortas, comparado a 5 em 2016. A maioria delas tinha em comum serem jornalistas investigativas experientes e tenazes. Apesar das ameaças, continuavam a investigar, a revelar casos de corrupção, como faziam Daphne Caruana Galizia em Malta, Gauri Lankesh na Índia, ou Miroslava Breach Velducea no México.


Outra tendência perceptível no ano de 2017 foi a de certos países em situação de paz que se tornaram quase tão perigosos para os jornalistas quanto as zonas de guerra: 46% dos repórteres mortos foram assassinados em países onde não há conflitos declarados, comparado a 30% em 2016. O México conta agora com quase tantos mortos (11) quanto a Síria, o país mais mortífero para os jornalistas (12 mortos).


"Os jornalistas investigativos que trabalham com temáticas grandes como a corrupção, os escândalos ambientais ou o extremismo violento desempenham um papel fundamental de contrapoder e são, por isso, covardemente assassinados por aqueles que essas investigações incomodam, lamenta Christophe Deloire, secretário geral da RSF. Realizar investigações em determinados países em situação de paz está se tornando tão perigoso quanto cobrir um conflito. Essa situação alarmante nos lembra da necessidade de reforçar os mecanismos internacionais de proteção dos jornalistas"


Em 1o de dezembro de 2017, 326 jornalistas encontravam-se atrás das grades por ter exercido sua profissão. Assim como na categoria dos mortos, o número de detidos foi menor este ano (-6%). Ainda que a tendência geral seja de queda, certos países, não identificados até então como "países-prisão" para os profissionais das mídias, se destacam por um número incomumente alto de jornalistas presos. É o caso, sobretudo, da Rússia e do Marrocos. Apesar disso, cerca da metade dos jornalistas detidos ao redor do mundo continuam a ser presos em somente cinco países. A China e a Turquia ainda são as maiores prisões de jornalistas do mundo.


Finalmente, 54 jornalistas estão atualmente nas mãos de grupos armados não ligados ao governo, como o grupo Estado Islâmico, ou os Hutis no Iêmen. Cerca de três quartos dos reféns são jornalistas locais, que trabalham, com frequência, em condições precárias e arriscadas. Os jornalistas estrangeiros reféns atualmente foram todos sequestrados na Síria, sem que tenhamos como determinar sua localização.


Veja aqui o balanço


*números incluindo os jornalistas profissionais, os não profissionais e os colaboradores de mídias